A primeira mulher advogada do Brasil é do Piauí; saiba sobre Esperança Garcia

há 2 semanas

A primeira mulher advogada do Brasil é do Piauí; saiba sobre Esperança Garcia

Créditos: Nossa Política

Conhecer o Piauí é também conhecer nossa gente, ainda mais quem teve uma importância imensurável na história. O Piauí teve a primeira advogada mulher do Brasil. Esperança Garcia era o nome dela.

Negra e escravizada, ela foi a personificação de uma particular forma de resistência que fez uma grande diferença não só na vida das mulheres e negros, mas da história do país.

Vem com a gente do Conheça o Piauí saber mais sobre a Esperança Garcia e também sobre um lugar para visitar em Teresina que leva seu nome.

#Quem foi Esperança Garcia

Esperança Garcia foi uma mulher negra, que foi escravizada na triste época da escravidão em nosso país, em uma das fazendas administradas pelo poder governamental, após a expulsão dos jesuítas.

A fazenda tinha o nome de Algodões e ficava na região de Oeiras, a primeira capital do Piauí e município a pouco mais de 300 km de Teresina. Assim como outras estâncias na época, essa fazenda pertencia a então Inspeção de Nazaré, onde é hoje o município de Nazaré do Piauí.

Pouco se sabe mais detalhes da vida de Esperança. O que foi descoberto, até então, é que ela era casada, teve o primeiro filho com 16 anos, informações conseguidas também por meio de uma carta que ela escreveu, que é o que vamos contar agora.

#A carta de Esperança Garcia

Corajosa, revolucionária, ciente de sua condição, Esperança Garcia foi tudo isso e muito mais, fato que pode ser comprovado na carta em que ela escreveu para o então governador do Piauí, Gonçalo Botelho.

O documento foi descoberto em 1979 pelo pesquisador e historiador Luiz Mott. Ele encontrou uma cópia no arquivo público do Piauí. Afirma-se que original está em Portugal.

Nessa carta escrita por Esperança, em 06 de setembro de 1770, ela coloca em palavras todo o seu sentimento, tanto de justiça quanto de esperança, na espera de que ela pudesse ser ouvida com relação aos maus tratos que ela, sua família e suas companheiras escravizadas sofriam.

Veja abaixo o que Esperança Garcia escreveu

Eu sou uma escrava de V.S. Administração do Capitão Antonio Vieira de Couto, casada. Desde que o Capitão para lá foi administrar, que me tirou da fazenda dos Algodões, onde vivia com meu marido, para ser cozinheira da sua casa, onde nela passo muito mal. A primeira é que há grandes trovoadas de pancadas em um filho meu sendo uma criança que lhe fez extrair sangue pela boca, em mim não posso explicar que sou um colchão de pancadas, tanto que caí uma vez do sobrado abaixo de peiada; por misericórdia de Deus escapei. A segunda estou eu e mais minhas parceiras por confessar a três anos. E uma criança minha e duas mais por batizar. Pelo tão peço a V.S. pelo amor de Deus e do seu Valim ponha aos olhos em mim ordinando digo. Mandar a procurados que mande para a fazenda aonde ele me tirou para eu viver com meu marido e batizar minha filha. De V.S. sua escrava Esperança Garcia (MOTT, 1985:106)

Essa carta carrega uma série de significados que ultrapassaram as fronteiras do tempo.

Primeiro, uma escrava que sabia ler e escrever é de uma grandiosidade incalculável, já que, infelizmente, os negros não poderiam ser alfabetizados naquela época. Se fossem, até presos seriam.

E até então nenhuma descoberta ainda foi feita de como Esperança Garcia conseguiu se alfabetizar. 
 
Mas não para por aí. Essa carta é o documento mais antigo de reivindicação de uma negra escravizada a uma autoridade. Além disso, foi o primeiro documento a ser assinado por uma mulher.
 
#A advogada Esperança Garcia


 
A carta escrita por Esperança Garcia tinha um tipo de texto que, segunda as nomenclaturas do Direito, poderia ser uma petição.
 
Assim, mais de dois séculos depois, Esperança Garcia foi colocada no rol da advocacia brasileira.

A Ordem dos Advogados do Brasil no Piauí (OAB-PI) concedeu o título de primeira mulher advogada do Piauí. E como falamos, do Brasil, já que em 1770 ainda não existiam no país mulheres advogadas.

#O memorial Esperança Garcia

Esperança Garcia, além de inspirar gerações inteiras na luta pela defesa dos direitos fundamentais, virou também nome de um espaço cultural em Teresina.

O Memorial Esperança Garcia, que antes chamava-se Memorial Zumbi dos Palmares, foi inaugurado em 2007 e busca valorizar a cultura negra. Ele conta com diversos espaços, como biblioteca, com um rico acervo ligado ao seu propósito, sala de exposições e sala de audiovisual.

Nesse local também acontecem apresentações artísticas, musicais, exposições e oficinas, todas ligadas ao tema. Ainda você encontra nele o chamado Espaço das Negras, onde são realizadas oficinas de turbantes, esse acessório que reflete toda a beleza e origens negras.

O Memorial conta ainda com ambientes com muitas referências. Os muros são grafitados, dentro e fora, com imagens de Nelson Mandela, Malcon X, Martin Luther King, Francisca Trindade, Julião Romão, dentre outros grandes nomes negros.  

O Memorial Esperança Garcia fica localizado na avenida Miguel Rosa e é aberto de segunda à sexta, com entrada gratuita.
 
Já conhecia todos esses fatos? É um orgulho para todos nós ter em nossas terras alguém tão histórico e revolucionário como Esperança Garcia. E claro, a gente vai adorar receber você para compartilhar de perto tudo isso.  
 

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